SINOPSE
Worms é uma criação de Rui Neto onde se confrontam as escolhas individuais e a liberdade dessas mesmas escolhas, na criação de um díptico sobre a visão apocalíptica das sociedades contemporâneas. Worms é um monólogo para uma mulher, uma viagem entre a natureza e a consciência humanas, numa voz premonitória sobre o estado das coisas, onde o corpo é o elemento central e a matéria viva.
“E as moscas... vêm aos milhares. Migram daqui para ali. Só com um objectivo. Mais nada. (...) Elas apoderam-se do interior, das pessoas, dos animais. (...) Vão escavar o meu corpo até encontrarem o que procuram. Isto não são animais, são máquinas, micro câmaras de vigilância.”
Worms é uma criação de Rui Neto onde se confrontam as escolhas individuais e a liberdade dessas mesmas escolhas, na criação de um díptico sobre a visão apocalíptica das sociedades contemporâneas. Worms é um monólogo para uma mulher, uma viagem entre a natureza e a consciência humanas, numa voz premonitória sobre o estado das coisas, onde o corpo é o elemento central e a matéria viva.
“E as moscas... vêm aos milhares. Migram daqui para ali. Só com um objectivo. Mais nada. (...) Elas apoderam-se do interior, das pessoas, dos animais. (...) Vão escavar o meu corpo até encontrarem o que procuram. Isto não são animais, são máquinas, micro câmaras de vigilância.”
PROJECTO
WORMS, teve a sua estreia em Dezembro 2013 no Teatro da Comuna, integrado no festival Temps d’Image e com o apoio da fundação Calouste Gulbenkian para novos encenadores e integrou a programação da temporada 2014 do Teatro Municipal Joaquim Benite.
Para o autor, os significados de WORMS são diversos e voláteis. Muitas vezes, é a realidade que se encarrega, posteriormente, de os descobrir: "Já depois de ter escrito este texto, ouvi a notícia sobre o cerco da cidade de Homs, na Síria. Para além da incrível semelhança no nome, Homs encontra-se cercada há um ano e meio, foi totalmente destruída e fustigada pela miséria e pela morte. Tal como acontece em Worms. Os pontos de vistem nascem sempre da relação que estabelecemos com a realidade."
Investigação, Existência, Absurdo
WORMS, surge depois de Rui Neto ter encenado, no âmbito do projecto de mestrado em Ciências da Comunicação, a peça Huis Clos, de Jean-Paul Sartre. Embora inicialmente se tenha inspirado na premência e na actualidade de muitas das quest\oes colocadas pela filosofia existencialista, à medida que escrevia, o autor distanciava-se progressivamente de qualquer tipo de referência directa à obra do filósofo francês (o título será, talvez, o mais evidente resquício desta aproximação inicial, recuperando o nome da cidade onde decorre a acção da peça Le Diable et le non Dieu, escrita em 1951) e torna-se permeável a outras influências, sobretudo de Samuel Beckett e do paradigma do Teatro do Absurdo.
Pensar os limites da liberdade
Somos seres condenados a ser livres, segundo Sartre, mas não estaremos a ser invisivelmente comandados por esse organismo – a cidade - que nos envolve, conduz e transforma a nossa natureza humana numa cegueira de convicções de liberdade, que nos mantém apartados da nossa natureza original? Seremos produto da natureza ou da cidade? Quem habita quem? Seremos mais biologia ou tecnologia? Impossível de nos vermos pelos nossos próprios olhos, de que forma os outros nos veêm sob a lente da tecnologia? “O Inferno são os outros” (Sartre; Huis Clos), ou será a tecnologia o nosso sarcófago? Será o nosso mural do Facebook o nosso epitáfio pós-moderno? Estaremos nós a construir a nossa eternidade à medida que nos transformamos em Likes, na nossa página de fãs?É da integração destas múltiplas influências que nasce WORMS, acima de tudo um "produto dos tempos de crise e angústia em que todos vivemos", reflexo de um agudo sentimento do vazio e de um desejo de reflectir acerca dos limites da liberdade individual numa sociedade em crise, atolada em promessas - podre: "E as moscas... vêm aos milhares. Migram daqui para ali. Só com um objectivo. Mais nada. vejo-as rondarem-me, fazerem razias, às vezes pousam e caminham como aranhiços pelos meus braços. Elas vão escavar o meu corpo até encontrarem o que procuram."
Um corpo suspenso
Existem tensões numa sociedade em que a mutirão é incapaz de minimizar, e a natureza é, a todo o momento, traída pela preponderância da autoconsciência e do aparato tecnológico. É esse o combate que acontece em palco: uma estrutura de ferro sustém um corpo que respira; uma micro-câmara de vigia, capta, projecta todos os movimentos de um rosto humano, à semelhança de "moscardos enormes, azuis e verdes, com um zumbido enervante", que se impõem e geram dúvida e desconforto: "Isto não são animais, são máquinas, micro câmaras de vigilância."
Eppur si muove
Somente à palavra se reserva o poder de contrariar o medo e o peso do dispositivo cénico e tecnológico criado para este espectáculo. Apesar da imobilidade do corpo, a palavra viaja, com o espectador, através de um texto vivo, em constante mutação, que, segundo o autor e encenador, "procura permanentemente o equilíbrio entre palavras trágicas e dramáticas e um subtexto irónico. Apesar de transmitir uma visão apocalíptica do futuro, não deixa de sublinhar a nossa responsabilidade no presente e de encerrar alguma esperança."
WORMS, teve a sua estreia em Dezembro 2013 no Teatro da Comuna, integrado no festival Temps d’Image e com o apoio da fundação Calouste Gulbenkian para novos encenadores e integrou a programação da temporada 2014 do Teatro Municipal Joaquim Benite.
Para o autor, os significados de WORMS são diversos e voláteis. Muitas vezes, é a realidade que se encarrega, posteriormente, de os descobrir: "Já depois de ter escrito este texto, ouvi a notícia sobre o cerco da cidade de Homs, na Síria. Para além da incrível semelhança no nome, Homs encontra-se cercada há um ano e meio, foi totalmente destruída e fustigada pela miséria e pela morte. Tal como acontece em Worms. Os pontos de vistem nascem sempre da relação que estabelecemos com a realidade."
Investigação, Existência, Absurdo
WORMS, surge depois de Rui Neto ter encenado, no âmbito do projecto de mestrado em Ciências da Comunicação, a peça Huis Clos, de Jean-Paul Sartre. Embora inicialmente se tenha inspirado na premência e na actualidade de muitas das quest\oes colocadas pela filosofia existencialista, à medida que escrevia, o autor distanciava-se progressivamente de qualquer tipo de referência directa à obra do filósofo francês (o título será, talvez, o mais evidente resquício desta aproximação inicial, recuperando o nome da cidade onde decorre a acção da peça Le Diable et le non Dieu, escrita em 1951) e torna-se permeável a outras influências, sobretudo de Samuel Beckett e do paradigma do Teatro do Absurdo.
Pensar os limites da liberdade
Somos seres condenados a ser livres, segundo Sartre, mas não estaremos a ser invisivelmente comandados por esse organismo – a cidade - que nos envolve, conduz e transforma a nossa natureza humana numa cegueira de convicções de liberdade, que nos mantém apartados da nossa natureza original? Seremos produto da natureza ou da cidade? Quem habita quem? Seremos mais biologia ou tecnologia? Impossível de nos vermos pelos nossos próprios olhos, de que forma os outros nos veêm sob a lente da tecnologia? “O Inferno são os outros” (Sartre; Huis Clos), ou será a tecnologia o nosso sarcófago? Será o nosso mural do Facebook o nosso epitáfio pós-moderno? Estaremos nós a construir a nossa eternidade à medida que nos transformamos em Likes, na nossa página de fãs?É da integração destas múltiplas influências que nasce WORMS, acima de tudo um "produto dos tempos de crise e angústia em que todos vivemos", reflexo de um agudo sentimento do vazio e de um desejo de reflectir acerca dos limites da liberdade individual numa sociedade em crise, atolada em promessas - podre: "E as moscas... vêm aos milhares. Migram daqui para ali. Só com um objectivo. Mais nada. vejo-as rondarem-me, fazerem razias, às vezes pousam e caminham como aranhiços pelos meus braços. Elas vão escavar o meu corpo até encontrarem o que procuram."
Um corpo suspenso
Existem tensões numa sociedade em que a mutirão é incapaz de minimizar, e a natureza é, a todo o momento, traída pela preponderância da autoconsciência e do aparato tecnológico. É esse o combate que acontece em palco: uma estrutura de ferro sustém um corpo que respira; uma micro-câmara de vigia, capta, projecta todos os movimentos de um rosto humano, à semelhança de "moscardos enormes, azuis e verdes, com um zumbido enervante", que se impõem e geram dúvida e desconforto: "Isto não são animais, são máquinas, micro câmaras de vigilância."
Eppur si muove
Somente à palavra se reserva o poder de contrariar o medo e o peso do dispositivo cénico e tecnológico criado para este espectáculo. Apesar da imobilidade do corpo, a palavra viaja, com o espectador, através de um texto vivo, em constante mutação, que, segundo o autor e encenador, "procura permanentemente o equilíbrio entre palavras trágicas e dramáticas e um subtexto irónico. Apesar de transmitir uma visão apocalíptica do futuro, não deixa de sublinhar a nossa responsabilidade no presente e de encerrar alguma esperança."
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